11:42 P.M. Mesmo assim, eu recebo a compreensão de que a Morte não é uma resposta, pouco importando o que Timothy viu ou pensou que viu, e que o melhor presente que Eugene me deu não foi o bilhete ou o punhal, mas a possibilidade de uma causa justa pela qual lutar. Tim merece um pouco de descanso: sua missão não é ficar aparecendo como messias desencarnado para toda sorte de fracassado que conheça as Artes Proibidas. Mesmo porque, quando ele estava caindo, nenhum de nós, amigos ou desconhecidos, moveu um dedo para ajudá-lo. A decisão que ele tomou é dele e ninguém tem o direito de questionar se ele queria ou não ser ajudado, ou o direito de seguir seus passos. Ele levou a sua luta para preservar a individualidade até o último minuto, determinando cada passo de sua vida olhando para seus pés e para o lugar onde pisaria da próxima vez, mas um dia ele olhou para frente, para o fim da estrada, e viu o que todos devem esquecer para continuar andando. E viu também que o caminho até o final não seria mais de sua livre escolha. Tim preferiu queimar etapas e saltar em direção ao Vazio no fim do túnel.
“Prevenção pela perda”, disse Helen.
Não funciona.
Ainda existe a alternativa de Eugene e seus amigos vampiros, protegidos de Sodoma, mas aprisionados na não-vida de testemunhar a queda alheia, impedidos de ascender, interferir ou cair por si mesmos. Fotógrafos em preto e branco do glamour mortífero do néon e asfalto, condenados a reprisar as mesmas imagens era após era. A Geração X que olha apática a vida passar na sua frente. Ou melancólicos yuppies que acumularam poder demais e agora não sabem como extrair qualquer prazer mais sincero de suas Mercedes, suas siliconadas esposas e suas ações em alta na Bolsa.
Não funciona. Continua sendo “prevenção pela perda”. Covardes. Todos eles e eu também, porque desperdicei a única chance honesta que jamais tive de ter uma “vida boa” por temer me sufocar pela normalidade. E perdi tanto tempo chamando pelas pessoas erradas, que nunca me pertenceram realmente, quando a única que me amou escapou de meus braços por medo. Meu medo e medo dela.
Francine.
Tem que funcionar.

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