Na tela do cinema, um exército de mortos-vivos avançava contra os protagonistas, famintos por devorar seus cérebros. Na sala escura, meu braço contornava os ombros de Lim e eu a trazia para junto de mim. Eu tinha dezesseis anos e, pela primeira vez, estava próximo de algo que só poderia ser definido como mágico. Ela era linda mesmo debaixo da luz feérica emanada de um filme de quinta categoria e estava nos meus braços. Um dos raros momentos em que se consegue tudo aquilo que se deseja e está-se livre para pensar no próximo desejo (verdade seja dita: eu não a beijei naquele dia, mas tenho a lembrança de que caminhar de mãos dadas com Lim pelas ruas do nosso bairro era tudo que me bastava).
E a memória não passa de um trailer reverso de um filme que não terá reprises. Mesmo este exato instante se esgotará e um dia haverá mais trailers em minha cabeça do que histórias a filmar. E depois, o pó.

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