Zero-19

Kurt Cobain se matou. Eu estava na casa de Melanie quando ouvi a notícia pelo rádio e ela nem sabia de quem se tratava. Foi a última vez que notei que eu e ela tínhamos menos em comum do que meu coração ainda supunha e, depois disso, parei de procurá-la definitivamente.

Timothy e eu havíamos escutado “Smells Like Teen Spirit” pela MTV, no dia que instalaram uma televisão no Neverland. Ficamos em estado de choque com o modo como Cobain & Cia. haviam conseguido transpor nossas incertezas para a música. Rebeldia/Apatia. Solidão/Irmandade. Desejo/Frustração. Se tivéssemos talento para o rock n’ roll não teríamos feito diferente. Rachamos as despesas para comprar o “Nevermind” e tivemos nosso contato inicial com o punk rock (mais tarde, descobri que o Nirvana não era um exemplo clássico de punk, mas isso é assunto para os puristas e para os críticos).

Nirvana entrou para a História. Pelo menos, para essa história. Choramos muito quando a notícia chegou e Melanie não entendeu nada. Poucos entenderam. Tim e eu sabíamos: era um epitáfio.

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