Acordo chorando. O colchão está úmido de suor, mas, uma brisa fria entra pelo vão entre as cortinas e minha pele gela. Aperto meus braços junto ao tronco e movo meu corpo pra frente e pra trás para tentar parar de tremer. Parece mais fácil do que desenrolar os lençóis. Ouço Judith ressonando ao meu lado, impulsionada a Lexotan, e imagino o seu rosto sorrindo na escuridão. Não estou com febre, AIDS, Câncer ou qualquer uma dessas merdas, mas, mesmo assim o cansaço é tão forte que não posso dormir nem acordar, como se a alma atormentada de Darkdream voltasse a cada fechar de pálpebras para me lembrar que há uma mandala esquecida em um banheiro de bar, contas para pagar e uma faculdade incompleta querendo cancelar minha matrícula. Mas não é um fantasma. Nem um daqueles amigos vampiros de Eugene visitando meu crânio depois da meia-noite. Sou eu mesmo.
Penso em Judith e isso faz meus músculos relaxarem. Não quero para ela o mesmo tipo de pesadelo que todos terminamos encenando. Não quero gritar com ela na mesa do café da manhã. Não quero vê-la falsificando receitas de remédios para poder ficar tranqüila e para não sangrar até ficar pálida em uma banheira de porcelana. Gostaria que suas roupas ficassem ao lado das minhas no armário e que nenhum de nós precise arrumar as malas em um dia de chuva. Gostaria de amá-la tão profundamente quanto imagino que ela me ama, mas meu baú ainda tem muitas fotos antigas de Lim, todo dia eu ouço o que há na secretária eletrônica (“lamentamos informar que o seu talão de cheques foi bloqueado, favor comparecer à sede administrativa…”) procurando a voz de Melanie e já calculei várias vezes o custo de uma viagem até onde Francine está. E, nessas horas, eu olho para o espelho e vejo o rosto de Alekssandri e compreendo que três anos vivendo com a mesma pessoa puderam fazer com sua sanidade.
É um imenso balão de ensaio. E, no final das contas, fracassando ou sobrevivendo, todos se casam.

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