Dylan Carmichael estava de volta ao lado de sua esposa. Achou melhor não contar que estivera na mira de um relâmpago e de uma bola de fogo quinze minutos atrás. Ela poderia pensar (com razão) que a festa não era tão segura quanto ele falava que era. Ao que tudo indicava, ela já havia superado o susto de descobrir que seu escritor favorito bebia sangue para se alimentar e voltara a ficar deslumbrada com a riqueza da festa. Contou a ela sobre a conversa que tivera com Deborah, o que gerou uma longa e quase interminável discussão tola sobre ciúme. Mas fazia parte do jogo de sedução e ele tinha consciência disso. No íntimo, apesar da desconfiança dela, ele se sentia desejado. Nada mal para quem nunca poderia ter filhos ou mesmo abraçá-la.
Escutou por um bom tempo aquelas perguntas sobre como Deborah estaria vestida, o que dissera, como olhara etc. Respondeu a todas com tranquilidade, de “alma lavada” digamos assim. Nada de sarcasmo desta vez. Não com Jennifer. Nunca com Jennifer. Enfim, acariciou seu rosto da melhor forma que podia e jurou que a amaria para sempre. Bastou para que ela se acalmasse. Afinal de contas, era de verdade.
Ela lhe contou também que conhecera um monte de gente interessante. Princesas de outro mundo, em sua maioria. E falou de um jardineiro que fazia milagres com flores, embora fosse mudo. Ela disse que ele se comunicara com ela através de pétalas e odores. Foi a vez dele de ensaiar uma cena de ciúme, mas algo que ele vira do outro lado da festa fez sua mente dar um giro de 180 graus e parar.
O Ás de Paus estava ali.

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