Esfria ainda mais quando a noite chega, mas ainda não neva e as pessoas se trancam em suas casas para acender velas coloridas e celebrar, enquanto do lado de fora mendigos morrem congelados e os bêbados, que sempre flertaram com a morte, finalmente recebem seu beijo sufocados com vômito, e nenhum desses dois mundos me diz respeito agora. Estou parado em frente aos portões da antiga escola da Classe de 92, me perguntando quem ainda se lembra de nós ou quem irá verter uma lágrima quando o nome de Franz Richter, o meu nome, se converter em bolor de papel em um velho boletim arquivado. Trago comigo minha mochila estudantil e, dentro dela, o Livro de Francine, o punhal de prata e algumas folhas de caderno. Sem pressa, folheio o Livro até a página correta e encontro um encanto simples para abrir passagens. O cadeado que segura as correntes do portão abre-se em meus dedos e, duas fechaduras depois, eu estou dentro da última sala de aula que reuniu nossa antiga turma, sentado na mesma carteira que costumava sentar uma vida atrás e sem saber o que estou preste a fazer.

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