– Em que você está pensando, Franz?
A voz de Alekssandri me encharcou como um balde água fria e, por um momento, olhei pateticamente para ele. Mas logo minha vista tornou-se a perder na paisagem distante do outro lado do salão. As palavras secaram em minha boca e eu não consegui fornecer uma resposta. Minha mente mesmerizada recusou-se a parar de observar.
Mesmo com a música alta eu pude ouvir as frases ditas e não-ditas por Noburu, escutar seus beijos em Lim, seus risos, o gelo flutuando em sua Fanta. E pude ouvi-la, longe, inatingível, apenas uma amiga. Podia ver e ouvir os dois juntos.
– Em que está pensando, Franz?
– Em nada. Não estou pensando em nada.
Fui embora quando começou a tocar “Still Loving You” e não havia ninguém sozinho com quem valesse a pena conversar e, mesmo se houvesse, eu não teria palavras que expressariam o que estava pensando. Só gostaria que ela olhasse para mim e sorrisse.

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