Raymond: A pior ideologia desenvolvida pelo Homem é a responsabilidade.
Eu: Não força a barra.
Francine: Ele está certo, Franz-querido. Acompanhe o raciocínio: todos nós morreremos, certo?
Eu: Sim. Claro.
Francine: E, se você está morto, de que lhe servem suas realizações, seus compromissos, seu stress cotidiano?
Tim: O que ela está dizendo é que não adianta nada se preocupar, fazer planos, no final da história ninguém sobra. Não há um futuro. O momento é agora. Ninguém sobra.
Helen: Por favor! Isso não é muito agradável, é? Será que não dá para falar de outra coisa?
Raymond: Este é o ponto, mãe Helen. A vida não é agradável porque gastamos um tempo enorme pensando em assuntos “sérios” e nos esquecemos de como nos divertir. É esta merda chamada responsabilidade.
Francine: Vamos beber, então!
Eu: Ninguém vive sem responsabilidades. Não existiria a Civilização, pra começar.
Tim: Franz, o advogado de Sodoma. Quem precisa de civilização?
Francine: Olhe para os índios. Eles são mais felizes do que nós. Se precisam comer, eles colhem na floresta. Se precisam…
Eu: Espere um minuto aí! Francine utilizou um estereótipo!
Tim: Que decadência…
Francine: Está bem! Os índios também trabalham. Eles precisam construir suas casas, muitas culturas praticam a agricultura e imagino que caçar animais selvagens não seja exatamente divertido. Mas… porra! Eles não pagam Imposto de Renda, não vão à missa aos domingos e nem conhecem o conceito de “divórcio litigioso”. Eles são mais livres do que nós!
Raymond: Rousseau está vivo!
Eu: Eles não têm penicilina, telefone ou uísque.
Tim: Nem AIDS, trotes obscenos ou alcoólatras.
Eugene: Muitas civilizações indígenas fabricam bebidas fermentadas.
Helen: Os índios não têm literatura. Nenhum de nós aqui nesta mesa existira fora da Civilização.
Raymond: Um brinde à Responsabilidade, então!

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