Danov sorri por dentro, para não dar nenhuma pista de como sua mão foi feliz. Tem três cartas de valor seis, o mais alto permitido na Esfera Beleza, quase uma garantia de dano para Kira. Experimenta um Seis de Paus e Kira reage com um Rei de Ouros, uma carta inválida; desta vez ela não tem nenhuma alternativa exceto aceitar a carga devastadora que a atinge. Danov vê o corpo espiritual de sua suposta irmã se contorcer em rápidos e dolorosos espasmos.
Kira faz um Descarte Cego, uma provável demonstração de que suas novas cartas não são muito boas. Danov se livra de uma carta de Espadas enquanto vê sua oponente invocando mais uma vez as energias da Esfera para dentro de si, recuperando um pouco daquilo que perdeu no ataque anterior. Mas o que entra é muito pouco, o ambiente parece se retrair, abandoná-la como um amante volúvel.
Danov usa um Seis de Ouros no Descarte de Batalha, sua carta evaporando-se em pura destruição rumo ao peito de Kira. Ela defende com um Cinco de Ouros que tinha escondido antes e tenta seduzi-lo, tomar o controle para si do ataque dele e desviar. Mas falha, pela primeira vez no Duelo, e recebe a descarga mística grave.
Kira ainda sofreria mais duas derrotas seguidas, enquanto tenta desesperadamente esvaziar sua mão para renovar as cartas. Danov vê as tentativas dela de criar uma barreira ao redor de si, de recuperar energia, de reverter a mão ruim que a Fonte sorteou para si de alguma forma. Mas a Esfera se retrai, não coopera mais como antes e Danov abre vantagem. Ele decide conversar:
– Este confronto é inútil e desnecessário. Não desejo machucá-la. Renda-se e vamos conversar.
– Do que você está falando? Não existe nada para ser machucado. Estamos em Duelo, não estamos?
– Mas a dor é real. E eu não quero isto para você.
– A dor não é real para mim, apenas para os fracos. E você não irá vencer, Danov.
– Você não tem chances. E sabe disso.
– Pharad me preveniu de sua autoconfiança e de seu “cavalheirismo”.
– E o que mais ele disse a você sobre mim, Kira?
– Disse para eu não magoá-lo, que talvez sejamos irmãos.
– E somos?
– E como é que eu vou saber?!
Ela livrou-se de sua última carta e pegou um baralho novo. A cada vez que um Carteador fazia isto, parte de sua fadiga ia embora e não podia ser recuperada por meios normais. Kira já estava em seu terceiro baralho, com tanto gasto de fadiga um ser humano comum já teria caído. Danov já vira aquele tipo de confronto antes, quando os oponentes trocavam de baralho após baralho até que, esgotados, ficavam trocando ataques vazios e fracos baseados apenas em força interior e não mais em cartas. Podia sentir que aquele duelo caminhava no mesmo sentido. De uma forma ou de outra, então venceria. Kira seria derrotada pelo cansaço.

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