Volume 1 – Carta 29

Danov emergiu na mesa sem nenhum ferimento. E nem poderia haver. Mas ainda assim uma parte de si doía. Kira olhou-o nos olhos e levantou-se sem nada dizer. Pharad a abraçou e eles conversaram, por alguns segundos, palavras que Danov não pôde ouvir. Sentia-se atado àquela mesa onde se sentaram para Duelar, sentia que deveria ter feito de uma forma diferente, ignorado seus instintos de lutar para vencer pelo menos desta vez. Talvez Kira se tornasse mais disposta. Agora se formara entre eles um abismo, como aquele que há entre mestre e aprendiz, um abismo formal de respeito e poder, de paternalismo e conhecimento, de desafio e derrota. Não era o que pretendia. Não era, definitivamente, o que tinha em mente.

Não tinha uma gota a mais de certeza do que havia antes. Sua boca estava repleta de perguntas ignoradas e palavras gentis que não tinham de ser estocadas. Suas mãos repousavam tranquilamente sobre o tampo de mármore da mesa, mas eram o único baluarte de sossego em todo o seu corpo. Mesmo sua alma ainda sentia as convulsões do combate e a violência desnecessária.

Pensou em Pharad. Saberia ele que o Duelo seria desastroso? O que o enigmático mestre do Concílio dos Cinco estaria tentando provar? Kira agora se afastava, sem olhar para trás.

Atrás de si, Nicholas Smith declamava um poema.

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